O Plano e a queda dos meus planos: uma existência sem vida

Brasília foi uma fase muito importante na minha vida. Sempre será.

Foi a primeira vez em que tentei fazer algo não convencional na minha vida.

Primeira tentativa de mudar. Mudar. Não de endereço, CEP ou DDD. Mudar, de fato.

Queria novos ares, novo trabalho, novas expectativas. À época, estava há 10 anos trabalhando em um lugar extremamente burocrático, que privilegia formalidade.

Fui trabalhar com um amigo da época de universidade, que já estava estabelecido lá. Trabalhei na produção e divulgação de shows internacionais e alguns nacionais. Algo extremamente diverso do que fazia.

Trabalhei como jornalista e intérprete da Língua Inglesa em shows de ícones como Guns’n’Roses e A-ha.

Fazia o q gostava.

Estava feliz pela primeira vez. Sentia-me realizado, em uma cidade diferente. Apesar de novo na capital federal, não estava isolado. Nesta fase de adaptação, o Couchsurfing exerceu papel preponderante.

Aí fiz merda. Por burrice e indisciplina médica, tive 2 AVCs. Um deles, o mais grave, me roubou minha audição.

Prum cara que vivia com fones de ouvido, ouvindo música, e, perdão pela arrogância, mas q tb usava sua paixão pela Língua Inglesa pra ver filmes e séries sem legendas pra aprender mais.

Lidar com isso é traumático. E provavelmente este trauma vou levar pro caixão.

Não haverá terapia psicológica que cure felicidade cortada com guilhotina.

Hoje, 10 anos depois, não consigo lidar bem de forma madura com esse “corte”.

Exemplo disso foi a ideia imbecil de “apagar” essa fase da minha vida. Não queria ter algo que me mostrasse permanentemente o meu fracasso. Por mais imaturo que isso seja, achei mais conveniente para mim.

Havia outras questões para trabalhar. Errei de novo.

Não lembro a época exata, mas só recordo que neste tempo o Facebook estava no auge. Eu quase morava lá. Era uma “mala”. Ácido demais. Sem limites. Sem empatia. Tradução: insuportável. Como ainda alguns devem me achar.

“Sumi”. Saí do Facebook. Não respondia WhatsApp. Bloqueei pessoas importantes.
Só existia. Não vivia.

Agora, tempos depois, fui ver a falta de maturidade disso. Foi um aprendizado. Enquanto via os poucos amigos que me restaram evoluindo, subindo degraus na vida, e eu aqui, preso a antigos traumas.

Pensava: o que fazer? Existir até quando der.

Só recentemente, decidi me desamarrar de uma simples existência, desperdício de espaço no mundo.

Comecei a viajar. Viver é outro capítulo.

(In)felizmente, segundo Chico Xavier, “para ter algo que você nunca teve, é preciso fazer algo que você nunca fez”.

Fiz o q nunca tinha feito e tive o q nunca q tinha tido. Quis mudar e tive AVCs e novos traumas.

Ele estava correto.

Sempre estará.

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