Quando “100 metros” são percorridos em 226km: relato de superação

Filmes sobre doenças costumam despertar diversas emoções positivas e levam pessoas à reflexão. Se você não é uma “pedra”, estimulam suas empatia e admiração pelo esforço e transposição de limites por seus protagonistas.

Baseada em fatos reais, a produção espanhola “100 metros”, do diretor Marcel Barrena, que conta a estória do publicitário Ramón Arroyo, é um exemplo disso.

Trata da luta de Arroyo com as agruras da Esclerose Múltipla (EM), doença neurológica, crônica, progressiva e autoimune, em que as células de defesa atacam o próprio sistema nervoso, como se não pertencessem ao organismo, e causam lesões no cérebro e na medula.

No começo das sessões coletivas de medicação, Ramón ouviu de outro paciente que chegaria a um momento em que nem conseguiria percorrer 100 metros.

Decidido a combater um prognóstico tão trágico, ele fez disso uma meta. Decidiu participar da prova Ironman (3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida, totalizando 225,8 km), em outubro de 2013.

O real Ramón Arroyo

Os limites que teve que ultrapassar não foram somente físicos.

Enfrentou o trauma da convivência com a doença, que, gradualmente, o impedia de fazer coisas simples, como amarrar os tênis ou pegar um copo.

Outro limite foi a relação conturbada (por vezes, cômica) com o sogro, o ex-ciclista Manolo – que usava métodos não-tradicionais para incentivar o protagonista durante a preparação para a prova.

Felizmente, apesar da negação inicial quanto aos planos do marido, a esposa, Inma, sempre funcionou como apoio e ponto de convergência entre o publicitário e o sogro que, em algum momento do filme de 2016, diz a ele que “todos temos uma doença degenerativa e incurável, que é a vida”.

Como alguém que, desde o nascimento, teve e tem que lidar com diversos exames, médicos e hospitais, acho que o filme não permite qualquer análise técnica estrita porque só quem sabe o real significado dos fatos retratados é Ramón Arroyo. Sei disso, mesmo não sendo afetado por uma doença degenerativa.

Muito acertadamente, nos créditos final da produção, o próprio diretor a define como “história sobre alguém que ouviu que ele não poderia. Também é para todos os que lutam pra completar seus 100m”.

Ache seus 100m e os ultrapasse.

Disponível na Netflix.

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