Surdez, valores, Ciência e equívocos

Mesmo não querendo, muitos acham que surdez/deficiência auditiva se resume somente a não ouvir e usar Libras.

Não é assim.

NENHUM SURDO/DEFICIENTE AUDITIVO É OBRIGADO A USAR LIBRAS.

Como Libras é uma ferramenta de comunicação muito útil para surdos/pessoas com deficiência auditiva, muitos gestores (públicos ou privados) pensam: “Ah, basta disponibilizar alguém que use Libras”. Infelizmente, a “solução” TRATA-SE MAIS DE FACILITAR A VIDA DOS GESTORES DOS QUE A DO PÚBLICO-ALVO.

O que basta é treinamento adequado de pessoas com o mínimo de inteligência e, sobretudo, humanidade.

OK, já temos atendimento via chat ou Whatsapp em alguns órgãos públicos/empresas e isso deveria ser generalizado como são os números 0800, 4004 etc, mas não funciona(ria) com os atendentes (efeito das políticas empresariais equivocadas) que temos na atualidade.

REALIDADE VS. CIÊNCIA

Em geral, a justificativa científica é que “isso é reflexo de uma sociedade que não nos prepara/preparou para lidar com diferenças”. Sem desprezar a importância da Ciência, acho que essa resposta é simplista. Não resolve nenhum problema.

Pessoas querem respostas diretas e compreensíveis, sem ter que enfrentar um debate científico para ver que o problema existe e os efeitos visíveis nas vidas delas. Desculpe-me a maioria dos cientistas, mas eles, em geral, estão mais preocupados com títulos acadêmicos do que com empatia.

Tanto eu, integrante da classe média, em uma capital, como Fulano, em um interior afastado, dependendo de programas governamentais de assistência sócio-econômica, sofremos com a noção quase generalizada de que “o cidadão-consumidor médio” é ouvinte e consegue manter uma conversa por meios convencionais.

Gestores esquecem que, no Brasil, eu e Fulano igualmente pagamos impostos quase até pra respirar e gastamos com produtos e serviços, cujos preços já vêm com o valor de atendimento adequado.

Entretanto, na hora das cobranças de IPTU, IPVA, ICMS, IPI e similares; de uma conta de celular ou um quilo de arroz ninguém se preocupa com nada além do dinheiro dos pagamentos. Resume-se a finanças.

O que há de “científico” nisso?

Sociologia, Antropologia, História e Economia, no mínimo, podem explicar, mas isso não resolve o equívoco quanto ao “cidadão-consumidor médio”.

Senhora Ciência, desculpe lhe decepcionar, mas em termos diretos, as pessoas valem o que têm. Simples.

Na sociedade brasileira, além de valer somente os reais que possui, também deve ter habilidades comunicativas convencionais.

Se não tiver nenhum dos dois, não vale nada.

Nem ao direito a atendimento e comunicação adequados.

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